Enquete

Você se sente ou já se sentiu assediado moralmente no banco?

Yeda vira despachante de automóvel

Cristóvão Feil

Quem diria! A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, virou despachante de automóvel. E o presidente Lula também não fica muito atrás, porque anda fazendo incentivos indevidos à industria automobilística, mais especialmente à General Motors (GM). Os incentivos que o governo federal e o governo estadual estão concedendo à montadora de automóveis GM são vergonhosos. Cerca de R$ 1,6 bilhão de recursos públicos estão sendo dirigidos a título de adiantamento de receita à obsoleta indústria de automóveis. Uma receita que talvez jamais seja gerada pela neoestatal norte-americana.

O símbolo material de uma sociedade de abundância e desperdício está nos seus estertores e só encontra suporte provisório na periferia do sistema produtor de mercadorias, onde governantes passageiros se transformam voluntariamente em agentes privados de interesses mórbidos.

No RS, um Estado quebrado, com uma administração mambembe e desmoralizada, a GM encontra abrigo e fomento por mais 22 longos anos. A governadora Yeda Rorato Crusius virou uma despachante dos interesses de uma única empresa privada. Nada mais faz, nada mais a ocupa. Limita-se a comparecer a fortuitos eventos fechados, porque em público não pode se apresentar, haja visto a impopularidade repulsiva que plantou nos últimos 30 meses.

E os sul-rio-grandenses, com mais essa sucata programada (já que foi a mesma GM que inventou o conceito de "obsolescência programada"), está financiando com recursos da cidadania uma indústria de morte e destruição.

Como disse o cineasta e documentarista Michael Moore, em recente e inspirado artigo sobre o velho mito da GM: "Estamos agora em um tipo diferente de guerra - uma guerra que nós travamos contra o ecossistema, conduzida pelos nossos líderes corporativos. Essa guerra tem duas frentes. Uma está em Detroit. Os produtos das fábricas das montadoras GM, Ford e Chrysler constituem hoje verdadeiras armas de destruição em massa, responsáveis pelas mudanças climáticas e pelo derretimento da calota polar. As coisas que chamamos de 'carros' podem ser divertidas de dirigir, mas se assemelham a adagas espetadas no coração da Mãe Natureza. Continuar a construir essas 'coisas' irá levar à ruína a nossa espécie e boa parte do planeta".

Assim, meus prezados ouvintes, o Rio Grande do Sul está aportando uma contribuição inestimável para que as piores suspeitas sobre o planeta se confirmem nos próximos 22 anos.


Cristóvão Feil é sociólogo e editor do blog Diário Gauche

Voltar