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Você se sente ou já se sentiu assediado moralmente no banco?

Ah, a liberdade de imprensa...

Álvaro Barcellos

É engraçado, mas no Brasil, nós, mortais e cidadãos comuns, não temos muito o costume de exercitar determinadas reflexões. Entre elas, merece destaque a questão da tão propalada liberdade de imprensa - que, vira e mexe, volta à pauta dos grandes jornais, das rádios em geral, das emissoras de TV e da internet.
Quem de nós costuma parar pra pensar, por exemplo: por que será que as manchetes e notícias e enfoques são basicamente os mesmos? A resposta, todavia, é bastante simples. Basta lembrarmos que, em regra, quase tudo que roda diariamente é pautado pela emissora estadunidense CNN.
Sobretudo a pauta internacional. Justamente por este motivo, dois jornalistas portugueses desapareceram por mais de duas semanas durante a invasão do Iraque - é que os caras ousaram publicar uma matéria estarrecedora, onde mulheres com crianças no colo, se dirigiam a caminhões de ajuda humanitária e, quando se afastavam, pasmem!, eram ATINGIDAS com tiros pelas costas por soldados que lá estavam, para em tese combater o terror (?). Como a CNN não liberara as imagens (e toda a imagem na época tinha patrocínio exclusivo de um poderosíssimo refrigerante), os jornalistas foram, hã, chamados para esclarecer algumas questiúnculas. Apenas pra entenderem como funciona o negócio da guerra. O showbiz.
E assim, por mais monstruosas que sejam determinadas notícias (a mãe que abandona o filho próximo a uma lata de lixo, por exemplo)...vira o único assunto de modo totalmente sensacionalista nas próximas três semanas. É um bombardeio geral.
Na verdade, não há mesmo qualquer compromisso com a verdade dos fatos; o que se vê de modo orquestrado é apenas a repetição exaustiva de determinadas versões de modo completamente sensacionalista e raso (a não-profundidade é outra condição central, com uma ou outra rara e honrosa exceção).
É preciso que lembremos: as emissoras de TV são beneficiárias de concessão pública para veicular informações, esporte, cultura...Ora, sendo beneficiárias de concessão pública, NÓS, público, é que deveríamos de certa maneira controlar a qualidade de programação a que nossas crianças estão submetidas...Ou não?
Algumas famílias agem como se fossem DONAS das emissoras. Na verdade, NÃO SÃO. E no entanto são altamente (de)formadoras de opinião, reforçando o senso comum (política não se discute, por exemplo...Opa! Quanto mais debatermos qualquer tema, mais saberemos, portanto, mais perigosos ficaremos aos olhos de quem só pretende manter as coisas como sempre foram. Doa a quem doer. Ou seja, em nós, trabalhadores e trabalhadoras em geral).
Por fim, é preciso que se diga (por mais que os caras tentem nos manipular): a liberdade de imprensa do capitalismo só existe na teoria. Tudo esbarra nos interesses do PATROCINADOR.
E que venha, em nome da ampliação de espaços de liberdade de imprensa um pouco maiores, uma atitude mais concreta no sentido de devolver a nós todos alguma possibilidade de exercer algum tipo de controle, com franca ampliação também de iniciativas criativas e lúdicas. Na perspectiva, sempre, de um mundo melhor, social, cultural e ambientalmente mais pleno.

 

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