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Você se sente ou já se sentiu assediado moralmente no banco?

Os trabalhadores assalariados já pagam pela crise

Cristóvão Feil

A grande mídia brasileira, rádio, TV e jornais, quando fala de economia o faz voltado para o interesse das grandes empresas, do agronegócio, dos bancos, dos especuladores e dos rentistas. Você não vê, todos os dias na televisão, a cotação de moedas, o pregão das principais bolsas de valores do mundo, a cotação do ouro e das mercadorias também chamadas de comodities? Pois é, eu também vejo. E você deve se perguntar o que interessa isso para o trabalhador? Para o sujeito que vive de salário e está arriscando a cada dia ser despedido pelo patrão por motivos que o próprio patrão jamais explicará.

Isso de fato pouco interessa, provando que a grande mídia faz jornalismo com a intenção de moldar a realidade segundo os interesses dos tubarões e dos "manda-chuvas". Quem está de fato pagando o preço da crise estrutural do sistema monetário é o assalariado.

Vejam só. A renda real média do trabalhador nas seis principais regiões metropolitanas do Brasil caiu pela quarta vez consecutiva. Ou seja, foi de - 1,1% em Maio último em relação a Abril. Para analistas do setor de emprego e renda o dado é fator de preocupação, ao lado da baixa abertura de novos postos de trabalho e da desaceleração do emprego com carteira assinada. Outro dado que preocupa é o aumento da inadimplência no Brasil. As pequenas e médias empresas, justamente as que mais empregam, não estão conseguindo saldar as suas dívidas, o que pode apontar um futuro mais ameaçador para os assalariados.

Apesar das várias medidas tomadas pelo governo nos últimos meses, o funcionamento do mercado de crédito no Brasil ainda não conseguiu retomar a normalidade do período que antecedeu o agravamento da crise financeira mundial. A situação é um pouco melhor nas operações com pessoas físicas, mas no caso das empresas ainda predomina uma tendência de alta da inadimplência e juros mais elevados. Em Maio, segundo dados do Banco Central brasileiro, o atraso superior a 90 dias nos programas de financiamentos para pessoas jurídicas subiu pelo sexto mês seguido e chegou a 3,2% do volume de crédito destinado a esse segmento. Trata-se do nível mais alto observado pelo Banco Central desde Maio de 2001. Em Setembro do ano passado, início da fase mais aguda da crise mundial, essa proporção era de 1,6%.

Como se vê, infelizmente, a realidade está provando aquilo que os trabalhadores assalariados mais temiam: ou seja, que a conta da crise internacional está sendo cobrada e paga por eles próprios. Justamente de quem tem menos gordura para gastar.

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