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Dia Internacional de Conscientização sobre o Autismo: confira o artigo do Coletivo Caixa Autista
Somos o COLETIVO CAIXA AUTISTA, um Grupo de Autistas Empregados da Caixa Econômica Federal de todo país. Nossa atuação é dedicada à visibilidade, acolhimento e troca de experiências entre a comunidade neurodivergente, em especial àqueles que possuem TEA. Nosso objetivo é fortalecer a inclusão, promover a conscientização sobre o autismo no ambiente corporativo e garantir que todos tenham voz e apoio necessário para crescer profissionalmente em um ambiente que valorize suas singularidades. Juntos, buscamos construir uma comunidade onde o respeito às diferenças e a valorização de cada talento sejam prioridades.
Coletivo Caixa Autista
Larissa Argenta Ferreira de Melo – autista, empregada da Caixa e Coordenadora Geral do Coletivo Caixa Autista
Da Teoria a Ação: como a Caixa pode transformar o discurso de Inclusão em realidade para seus Empregados Autistas
A inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho é um tema de crescente relevância na sociedade contemporânea. No entanto, quando se trata de pessoas com autismo, ainda há um longo caminho a percorrer para que a inclusão vá além do discurso e se torne uma prática efetiva. A Caixa Econômica Federal, como uma das maiores instituições financeiras do país e principal parceira estratégica do Brasil na execução de políticas públicas de inclusão, tem a oportunidade de liderar esse movimento. É necessário assegurar que empregados autistas não apenas estejam presentes em seu quadro de pessoas, mas sejam verdadeiramente reconhecidos e valorizados.
Tais percepções decorrem da vivência compartilhada por pessoas autistas que fazem parte do corpo de empregados da instituição.
Com o verdadeiro propósito de compreensão e inclusão, faz – se necessário jogar luz nas dificuldades enfrentadas, respeitando o local de fala como espaço fundamental para obtenção de efetividade nas ações da Caixa voltadas para este segmento.
A falta de compreensão sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), a ausência de adaptações adequadas (inclusive em processos seletivos) e o capacitismo estrutural, ou seja, a forma como o ambiente, as práticas e as relações de trabalho desconsideram sistematicamente as necessidades das pessoas com deficiência, frequentemente impedem que os empregados com TEA consigam desenvolver seus potenciais no ambiente de trabalho e, por este motivo, perdem oportunidades de ascender em suas carreiras. É fundamental garantir um ambiente verdadeiramente acolhedor, inclusivo e produtivo para que os empregados no espectro consigam exercer suas atribuições com eficiência, aproveitando suas capacidades individuais.
Para isso, é essencial nessa jornada, a realização de ajustes no ambiente de trabalho e a capacitação de toda a equipe, especialmente gestores e profissionais da área de pessoas, incluindo médicos do trabalho e responsáveis pela análise de enquadramento de empregados com diagnósticos tardios no grupo de pessoas com deficiência. Precisamos entender que a verdadeira inclusão vai além de simplesmente contratar pessoas com deficiências. É necessário garantir que elas se sintam acolhidas e respeitadas em seu ambiente de trabalho. Isso significa ouvir suas necessidades, oferecer suporte adequado e criar uma cultura organizacional que celebre a diversidade e a neurodiversidade.
Em nossa vivência, percebemos que o autismo se manifesta de maneiras muito diferentes em cada pessoa, trata-se de um espectro, e isso significa que cada pessoa autista possui características e necessidades únicas. Não existe, portanto, uma única adaptação que funcione para todas as pessoas no espectro autista. Enquanto a maioria das pessoas autistas é muito sensível a estímulos sensoriais — que se beneficiariam da criação de um Espaço de Regulação Sensorial, com menor estímulo visual, controle de ruídos e temperatura, para uso eventual ou como local alternativo de trabalho, outras não se incomodam tanto com esses fatores, mas podem enfrentar dificuldades com interrupções frequentes ou mudanças inesperadas na rotina. Nesses casos, medidas simples como oferecer um espaço mais silencioso, disponibilizar fones de ouvido ou adaptar a iluminação podem fazer uma grande diferença no dia a dia dessas pessoas, reduzindo o desconforto e aumentando a capacidade de concentração. Já para aqueles que se sentem sobrecarregados com a dinâmica do trabalho presencial ou com muitas interações sociais seguidas, a possibilidade de ter horários de trabalho mais flexíveis ou até mesmo de trabalhar em home office (de forma híbrida ou integral) pode ser bastante benéfica, pois oferece um ambiente mais previsível e confortável, ajudando a manter o foco e o bem-estar.
O mais importante é a disposição da empresa em ouvir e compreender cada colaborador autista individualmente, ajustando práticas e condições de trabalho conforme necessário. Esse diálogo aberto e os ajustes sob medida demonstram respeito às diferenças e garantem que cada pessoa possa contribuir com seu máximo potencial.
Essas ações não apenas beneficiarão os empregados autistas, mas também fortalecerão a instituição como um todo, agregando novas perspectivas e habilidades que impulsionam a inovação e o sucesso organizacional. Os empregados autistas existem e precisam ser vistos, valorizados e incluídos. A Caixa tem a possibilidade de desbravar essa mudança, demonstrando que a verdadeira inclusão não só é possível, mas também traz benefícios para toda a sociedade.
Coletivo Caixa Autista