Dia de Mobilização contra as demissões no Bradesco reúne bancários em Pelotas

Nesta terça-feira (11), ocorre o Dia Nacional de Mobilização contra as demissões no Bradesco. Em Pelotas, o ato ocorreu em conjunto com o projeto Café com o Sindicato. A iniciativa visou reunir bancários e bancárias para uma conversa sobre a atual situação do banco. O encontro contou com a presença dos diretores do Sindicato dos Bancários de Pelotas e Região, Fabio Silveira, Francine Fagundes, Lucas Cunha e Sergio Seus, além de Eduardo Munhoz, representante do Rio Grande do Sul na Comissão Executiva dos Empregados do Itaú, e de Sandro Cheiran e Luis Gustavo Soares, lideranças sindicais da Federação dos Trabalhadores em Instituições Financeiras do Rio Grande do Sul (Fetrafi-RS).

“Nossa campanha está se encaminhando para o final. Precisamos fechar as negociações até o final de agosto. Foram sete rodadas até agora e, até o momento, ainda não tivemos nenhuma resposta dos bancos. Eles prometem apresentar isso agora, no dia 13, com uma proposta geral que envolva todas as questões colocadas na mesa”, detalha Sergio.

Os dirigentes destacaram a importância da mesa unificada de negociação. “Sempre existe o questionamento: por que negociar bancos públicos e bancos privados juntos?”, indaga Sandro. “Temos exemplos, como o que aconteceu nos anos 1990, quando os bancos públicos passaram por grandes dificuldades e ficaram sem reajustes. Quem lembra dos governos FHC sabe que foram oito anos sem reajuste para a Caixa e para o Banco do Brasil, com a concessão de abonos em determinados períodos”, responde o dirigente.

“Isso reforçou a importância da mesa única, com bancos públicos e privados sendo negociados diretamente em conjunto. E essa estratégia surtiu efeito. Nossa Convenção Coletiva Nacional existe há quase 30 anos. É uma avaliação que muitos fazem: talvez seja o melhor acordo, a melhor convenção coletiva entre todas as categorias. Ela engloba todo o Brasil e sempre foi fundamental para garantir esse tipo de unidade”, complementa Cheiran.

Já Eduardo Munhoz destacou a necessidade de engajamento dos trabalhadores para o fortalecimento das entidades representativas. “Precisamos mostrar para os bancos que a categoria está mobilizada. Hoje fizemos um movimento de luta, realizamos reuniões, temos sócios e somos bem representados. Tudo isso nos ajuda bastante na negociação”, afirma.

Crescimento e demissões

O Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 13,861 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 16,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação entre o segundo e o primeiro trimestre deste ano, o crescimento foi de 3,5%. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) alcançou 16% no semestre, aumento de 1,4 ponto percentual em 12 meses.

O crescimento de 16,2% foi o maior entre os três maiores bancos privados do país (Bradesco, Itaú e Santander). Segundo o balanço da instituição, este é o décimo trimestre consecutivo de aumento do lucro.

Apesar dos resultados positivos, o Bradesco segue reduzindo seu quadro de pessoal e sua rede de atendimento. O banco encerrou o primeiro semestre com 79.699 funcionários, dos quais 67.954 são bancários, após eliminar 2.448 postos de trabalho em 12 meses. No segundo trimestre, o saldo foi negativo em 868 empregos bancários.

No mesmo período, o banco fechou 324 agências em todo o país. Em contrapartida, sua base de clientes cresceu em 300 mil pessoas nos últimos 12 meses, sendo 100 mil no segundo trimestre, alcançando 110,4 milhões de clientes, segundo dados do Banco Central.

Redação e fotos: Vitor Valente/Seebpel

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