Paralisação nacional mobiliza bancários e reforça cobrança por avanços nas negociações com os bancos
Paralisação nacional mobiliza bancários e reforça cobrança por avanços nas negociações com os bancos
A paralisação nacional de 24 horas realizada nesta quinta-feira (20) mobilizou bancárias e bancários em todo o país. Organizado pelas entidades sindicais, o movimento pressionou a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) por avanços nas negociações da Campanha Nacional 2026 e pela apresentação de uma proposta que contemple as reivindicações econômicas e sociais da categoria.
No Rio Grande do Sul, a mobilização ocorreu em diferentes municípios, incluindo Pelotas e região, com agências fechadas e atos organizados pelos sindicatos. A paralisação foi realizada em meio ao impasse nas negociações para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), cuja data-base é 31 de agosto.
A avaliação do movimento sindical é de que a mobilização cumpriu seu objetivo de demonstrar a unidade da categoria e aumentar a pressão sobre os bancos. Para a presidenta da Confederação Nacional das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, a paralisação reafirmou a disposição dos bancários de seguir mobilizados diante da falta de respostas da Fenaban. “A paralisação foi um sucesso, com adesão em todo o país, reafirmando a tradição de unidade nacional das bancárias e dos bancários. O recado está dado de que a categoria quer respeito e valorização”, avalia.
Negociações seguem sem proposta econômica
As negociações da Campanha Nacional começaram no final de junho e, segundo a Contraf-CUT, oito rodadas foram realizadas sem que a Fenaban apresentasse uma proposta concreta para as principais reivindicações econômicas dos trabalhadores.
No dia 13 de agosto, os bancos apresentaram uma proposta que previa o congelamento do piso de ingresso, reajustes diferenciados por faixas salariais e redução dos vales para trabalhadores do interior. A proposta foi rejeitada por unanimidade pelas entidades filiadas à Fetrafi-RS e recebeu 97% de rejeição nas assembleias realizadas nacionalmente.
Diante da reação da categoria, a Fenaban retirou a proposta na terça-feira (18). Até o momento, no entanto, os bancos ainda não apresentaram um índice de reajuste salarial. Para o movimento sindical, a retirada da proposta representa uma resposta à mobilização, mas não encerra o impasse. A expectativa é de que a Fenaban retome as negociações apresentando uma proposta que permita avançar na renovação da CCT.
Reivindicações incluem aumento real e valorização do piso
Entre as principais reivindicações dos bancários estão a reposição da inflação com 5% de aumento real, valorização do piso salarial, reajuste dos vales refeição e alimentação, melhorias na Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e a criação de um piso específico para trabalhadores da área de Tecnologia da Informação (TI).
A categoria também reivindica medidas para combater as metas abusivas, o assédio moral, as demissões e o fechamento de agências.
As entidades sindicais defendem que os resultados apresentados pelo setor financeiro permitem a valorização dos trabalhadores. Em 2025, os bancos registraram lucro líquido de R$ 171 bilhões, sendo R$ 124 bilhões concentrados nos cinco maiores bancos, segundo dados apresentados pela Contraf-CUT.
Levantamento do Dieese citado pela entidade aponta ainda que o lucro por empregado nos bancos chegou a R$ 438 mil no mesmo ano.
“Os banqueiros estão bastante reticentes em atender às reivindicações por reajuste salarial e nas demais remunerações, como PLR, vales refeição e alimentação, acima da inflação”, afirmou Juvandia Moreira.
Emprego e condições de trabalho também estão na pauta
Além da questão salarial, a Campanha Nacional discute os impactos da reestruturação do sistema financeiro sobre os empregos e as condições de trabalho.
O movimento sindical contesta a justificativa de que o fechamento de agências e a redução dos postos de trabalho sejam consequências inevitáveis da digitalização dos serviços bancários.
Segundo dados apresentados pela Contraf-CUT, entre 2015 e 2025 o setor bancário fechou 88 mil postos de trabalho e 9,5 mil agências. No mesmo período, os cinco maiores bancos aumentaram em 49% os contratos com correspondentes bancários.
Para os trabalhadores, os números demonstram que a atividade financeira continua em expansão, enquanto o setor bancário reduz sua estrutura física e seus quadros de funcionários.
A categoria também relaciona o processo de reestruturação às condições de saúde dos trabalhadores. Uma consulta nacional realizada com cerca de 55 mil bancários apontou que 40% dos participantes afirmaram ter utilizado, no último ano, medicamentos controlados, como antidepressivos, ansiolíticos e estimulantes.
A Contraf-CUT também destaca que, em 2024, os bancários representaram 25% dos afastamentos do INSS relacionados a doenças mentais ligadas ao trabalho, segundo o dado mais recente citado pela entidade.
Mobilização segue na reta final da campanha
Com a proximidade da data-base, o movimento sindical considera que a paralisação desta quinta-feira representa uma etapa importante da Campanha Nacional 2026.
A mobilização ocorreu em um cenário no qual os bancos seguem sem apresentar um índice de reajuste salarial, enquanto a categoria mantém a defesa de aumento real, valorização do piso, manutenção e ampliação de direitos e melhores condições de trabalho.
Para as entidades sindicais, a unidade demonstrada nacionalmente fortalece a posição dos trabalhadores na mesa de negociação e sinaliza à Fenaban que a categoria está disposta a ampliar a mobilização caso não haja avanços.
As negociações entre representantes dos trabalhadores e dos bancos devem continuar nos próximos dias, antes da data-base de 31 de agosto.
Fonte: Com informações da Contraf-CUT e da Fetrafi-RS



