Plenária da Regional Sul reúne bancários para debater proposta da Caixa

A plenária virtual da Regional Sul Bancária, realizada na quarta-feira (2), reuniu mais de 60 bancários dos Sindicatos dos Bancários de Pelotas, Rio Grande e Camaquã para discutir o cenário das negociações com a Caixa Econômica Federal, com destaque para a proposta apresentada pelo banco para o Saúde Caixa. Segundo Lucas Cunha, diretor do Seebpel e representante da Fetrafi-RS na mesa de negociação, o engajamento foi histórico para a Regional Sul. A mediação foi realizada por Marina Born, delegada sindical da agência Rio Grande.

O encontro teve como objetivo discutir o cenário das negociações, a proposta apresentada pela Caixa, especialmente em relação ao Saúde Caixa, além de esclarecer dúvidas e debater a aprovação ou rejeição da proposta e suas possíveis consequências. De acordo com os sindicalistas, o plano de saúde foi apontado pelos colegas como o principal tema da atual campanha.

Um dos principais pontos de insatisfação é a percepção de que os servidores são obrigados a contribuir cada vez mais com o plano, enquanto a Caixa não amplia sua participação no custeio. “Um grande sentimento dos empregados foi de que, nesse momento, somente os empregados têm o chamado para contribuir com o Saúde Caixa ano após ano, e que a Caixa não tem se responsabilizado por aumentar sua participação no custeio do plano”, critica Lucas.

Outro ponto destacado durante a plenária foi o impacto do reajuste salarial diante do aumento previsto nas despesas com o plano.“Nesse momento onde nós estamos conseguindo um aumento de 0,6 mais INPC, esse aumento não dá conta de superar o aumento que está previsto em função do Saúde Caixa para todos os empregados”, avalia. Lucas explica que, embora os valores do reajuste das contribuições possam variar de acordo com o perfil de cada funcionário, o impacto será sentido pelos trabalhadores.

Sustentabilidade do plano

O dirigente sindical destaca que os empregados demonstraram consciência responsabilidade em relação à sustentabilidade do Saúde Caixa. “No decorrer de todas as falas a categoria mostrou um grande senso de responsabilidade com a sustentabilidade do Saúde Caixa, com a sustentabilidade da Caixa. Todos estão cientes de que a gente vai precisar tomar medidas mais estruturantes para o plano ao longo dos próximos anos”, explica.

Segundo Lucas, existe disposição para discutir mudanças no plano, mas os empregados entendem que a Caixa também precisa ampliar sua participação.“Estão dispostos a discutir com a Caixa, mas isso tem que passar por uma maior participação da empresa. Não dá mais, o sentimento é que não dá mais para aguentar só aumento para os empregados”, afirma.

A possibilidade de aumento do teto de participação da Caixa, atualmente em 6,5%, também foi abordada. A empresa sinaliza com a possibilidade de elevar esse percentual para até 8%, mas, conforme destacado na plenária, ainda não existe um compromisso formalizado no acordo coletivo. “A Caixa agora sinaliza com a possibilidade do aumento do teto de gastos, mas isso ainda não é concreto. Não é um compromisso firmado no acordo coletivo. É uma promessa que pode não se concretizar. E isso gera uma certa desconfiança nos empregados de que não é possível avançar”, alerta.

Sindicato indica rejeição

Durante a plenária, o movimento sindical apresentou sua posição pela rejeição da proposta da Caixa. A indicação, segundo Lucas, está relacionada ao sentimento colhido junto aos empregados e à avaliação de que a proposta ficou abaixo das expectativas. “A gente, durante a plenária, expôs a posição do movimento sindical. A resposta é uma indicação pela rejeição da proposta da Caixa, mas com um senso de disposição para a luta, para a mobilização”, salienta.

O diretor ressalta que a mobilização é necessária para buscar uma mudança no cenário das negociações. “Essa mobilização significa greve, para que a gente possa mudar o cenário, para que a gente possa arrancar uma proposta diferente da Caixa”, defende. “A gente chamou os colegas para uma consciência da sua responsabilidade, da sua participação, ao expor tudo que está em jogo, os riscos, as consequências envolvidas, as possibilidades, as várias possibilidades que podem acontecer e as incertezas e surpresas que mesmo assim a gente pode ter ao longo do processo”, finaliza Lucas.

Redação: Vitor Valente/Seebpel

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