ELEIÇÕES 2026: EM DEFESA DOS DIREITOS E DOS INTERESSES DA CLASSE TRABALHADORA

Nota Política da Diretoria do Sindicato dos Bancários de Pelotas e Região

No próximo domingo, 4 de outubro, teremos uma das eleições mais importantes dos últimos anos. Estarão em disputa os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador — com duas vagas por estado —, governador e presidente da República.

Para nós, trabalhadores e trabalhadoras, essa não pode ser uma escolha descolada da realidade que vivemos.

Desde 2016, a classe trabalhadora vem enfrentando uma sequência de medidas que retiraram direitos, reduziram proteções e precarizaram as relações de trabalho. A reforma trabalhista, a reforma da Previdência e outras alterações produziram impactos profundos na vida dos trabalhadores. E sabemos, pela experiência dos últimos anos, o quanto é difícil reconstruir direitos depois que eles são retirados.

A reforma trabalhista, em especial, alterou profundamente as relações entre trabalhadores e empregadores. Entre seus efeitos está a vedação da ultratividade das normas coletivas, dificultando a preservação das conquistas previstas nos acordos e convenções quando estes chegam ao fim sem que um novo instrumento tenha sido firmado. Também ampliou as possibilidades de prevalência do negociado sobre o legislado, modificando a relação entre a negociação coletiva e a legislação trabalhista.

Para os bancários, que têm uma forte tradição de negociação coletiva e de construção de direitos por meio de acordos coletivos, essas mudanças tiveram e continuam tendo impacto direto.

Por isso, entendemos que o voto precisa considerar também quem estará comprometido com a defesa dos interesses dos trabalhadores no Congresso Nacional, nos governos estaduais e no governo federal.

Temos pautas fundamentais que seguem em disputa. Entre elas está a redução da jornada e o fim da escala 6×1. É uma discussão que interessa a toda a classe trabalhadora e que também deve interessar aos bancários: discutir jornada de trabalho é discutir qualidade de vida, saúde, tempo com a família e dignidade.

Também está em jogo a defesa e a valorização das empresas públicas e dos serviços públicos, especialmente daqueles que têm relação direta com a nossa categoria.

Para os bancários, defender a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil é defender instituições fundamentais para o desenvolvimento econômico e social do país, para a execução de políticas públicas e para o atendimento da população.

Mas, para nós, bancários e trabalhadores do Rio Grande do Sul, existe também uma dimensão estadual que é tão importante quanto, especialmente quando tratamos da defesa das empresas públicas e dos interesses dos trabalhadores gaúchos.

O Banrisul é patrimônio do povo do Rio Grande do Sul e cumpre um papel estratégico no desenvolvimento econômico e social do Estado. Sua atuação está diretamente relacionada ao financiamento da atividade produtiva, ao atendimento da população e ao fortalecimento da economia gaúcha.

Por isso, a defesa do Banrisul público precisa estar presente também no debate eleitoral. A campanha “Banrisul é coisa nossa” expressa justamente essa compreensão: banco público não é mercadoria, é patrimônio da sociedade e instrumento de desenvolvimento.

A eleição para governador e deputado estadual, portanto, também terá consequências concretas para a defesa do Banrisul, para os trabalhadores da instituição e para o futuro do patrimônio público dos gaúchos.

A DEFESA DOS TRABALHADORES É TAMBÉM A DEFESA DA SOCIEDADE

Mas a atuação dos bancários não pode se limitar às pautas específicas da nossa categoria.

Os bancários são trabalhadores e estão inseridos na sociedade. Temos famílias, filhos, pais, mães e comunidades que também dependem de serviços públicos de qualidade e são diretamente afetados pelas decisões políticas e econômicas tomadas no país e no Estado.

Por isso, defender os interesses dos trabalhadores significa também defender um Sistema Único de Saúde — SUS — público, universal e de qualidade; uma educação pública de qualidade; políticas públicas que garantam dignidade e oportunidades; e serviços públicos capazes de atender às necessidades da população.

A defesa dessas pautas também é uma defesa concreta da classe trabalhadora. Quando um filho de bancário precisa de uma escola pública de qualidade, quando uma família precisa do SUS, quando um trabalhador necessita de políticas de proteção social ou quando uma comunidade depende de serviços públicos, essas questões deixam de ser abstratas e passam a fazer parte da nossa própria realidade.

Da mesma forma, precisamos valorizar a representatividade na política, ampliando a presença de mulheres e de diferentes segmentos da sociedade nos espaços de decisão. Incentivar a participação e a eleição de mulheres comprometidas com as pautas dos trabalhadores também faz parte da construção de uma representação política mais próxima da diversidade existente na sociedade brasileira.

PAUTAS DOS TRABALHADORES E DOS BANCÁRIOS

Existem também pautas específicas que precisam estar presentes na agenda política.

Para os bancários, entre elas está a isenção do Imposto de Renda sobre a Participação nos Lucros e Resultados — PLR, uma reivindicação que dialoga diretamente com a realidade de milhares de trabalhadores. Atualmente tramita na Câmara dos Deputados o PL 1.044/2026, que propõe justamente a isenção do Imposto de Renda sobre os valores recebidos pelos trabalhadores a título de PLR.

Essa é uma pauta que demonstra como as decisões tomadas pelo Congresso Nacional podem repercutir diretamente no contracheque e na vida dos trabalhadores.

Defender melhores condições de trabalho, salários, jornada, aposentadoria, negociação coletiva e tributação mais justa é defender os trabalhadores. E, no caso dos bancários, significa também defender a valorização das nossas conquistas e a ampliação dos direitos construídos ao longo de décadas de organização sindical.

A IMPORTÂNCIA DA COMPOSIÇÃO DO CONGRESSO

A eleição deste ano traz ainda um elemento que merece atenção especial: a composição do Congresso Nacional.

Não basta eleger o presidente da República. Deputados federais e senadores têm papel decisivo na definição dos rumos do país. São eles que irão analisar projetos, propostas de emenda à Constituição, mudanças na legislação trabalhista, políticas econômicas, projetos relacionados às empresas públicas e tantas outras matérias que afetam diretamente a vida dos trabalhadores.

Por isso, a eleição para o Congresso ganha uma dimensão ainda maior. Neste domingo, cada eleitor terá duas escolhas para o Senado, além de deputado federal. Essas escolhas ajudarão a definir a correlação de forças que acompanhará o próximo governo.

A experiência dos últimos anos mostrou que nenhum governo consegue avançar sozinho. A composição do Congresso pode viabilizar ou dificultar a aprovação de medidas que interessam aos trabalhadores.

É por isso que precisamos estar atentos não apenas à eleição presidencial, mas também às escolhas para o Senado e para a Câmara dos Deputados.

Da mesma forma, no Rio Grande do Sul, precisamos olhar para a eleição de governador e para a Assembleia Legislativa considerando também os projetos que estarão em disputa para o serviço público, para as empresas públicas e, especialmente, para o futuro do Banrisul.

TRABALHADORES PRECISAM DEFENDER SEUS INTERESSES

Precisamos eleger representantes comprometidos com a valorização do trabalho, com a recuperação e ampliação de direitos, com a Previdência Social, com os serviços públicos, com as empresas públicas, com a democracia, com a negociação coletiva e com políticas públicas que melhorem a vida da população.

Para nós, bancários, isso significa também defender uma Caixa pública e forte, um Banco do Brasil público e atuante, um Banrisul público e presente em todo o estado e as demais instituições públicas, como instrumentos de desenvolvimento e de atendimento às necessidades da população.

Significa defender o SUS, a educação pública de qualidade, a valorização dos serviços públicos, a igualdade de oportunidades e uma sociedade em que os trabalhadores tenham voz e representação nos espaços de decisão.

A classe trabalhadora conhece o resultado de políticas que retiram direitos, precarizam o trabalho e enfraquecem o patrimônio público. Também sabe que direitos conquistados ao longo de décadas podem ser retirados rapidamente quando a correlação de forças políticas deixa de favorecer os trabalhadores.

Por isso, o Sindicato dos Bancários de Pelotas e Região entende que a política também se faz na defesa cotidiana dos direitos da classe trabalhadora.

O voto é uma das ferramentas que temos para escolher quem estará, nos próximos anos, tomando decisões que impactarão diretamente a nossa vida, nossos salários, nossas jornadas, nossa aposentadoria, nossos empregos, nossas famílias e o patrimônio público.

Neste domingo, exerça seu direito de voto com consciência, olhando para a história, para as propostas e para o compromisso de cada candidato com os trabalhadores.

A classe trabalhadora precisa ocupar a política e defender seus próprios interesses.

Diretoria do Sindicato dos Bancários de Pelotas e Região

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